Viajando com o Leiloando

Na Estrada: Phoenix/AZ– Los Angeles/CA

Logo após minha formatura pela New York Film Academy embarquei em uma viagem com minha amiga Stefanie e seu namorado Rob para a cidade onde eles atualmente residem, Phoenix no Arizona.

Foram 6 horas de viagem no banco traseiro do carro, de San Diego, onde os pais de Stefanie residem, ao Arizona.

Após uma semana de descanso e busca por um emprego era hora de retornar a Los Angeles. O meio mais barato de transporte? Ônibus interestadual.

Durante os anos em que morei em Curitiba para cursar Jornalismo peguei muitos ônibus da Catarinense descendo a serra. Um em particular, que sempre saía às 10:15 da manhã de sábado e ia de Curitiba – PR à Ituporanga – SC era o mais frequente.

Nas manhãs do fim de semana era comum ver os mais variados personagens embarcando naquela viagem, e nas tardes de segunda, voltando de Joinville – SC para o Paraná, por vezes pessoas nauseadas não conseguiam manter seus almoços para si mesmos. Mas nenhuma experiência brasileira me preparou para pegar um ônibus interestadual no país de primeiro mundo chamado Estados Unidos.

Ao chegar na estação ferroviária encontrei um banco em frente à porta de embarque e passei a aguardar. Após desviar o olhar da mulher que falava consigo mesma, usava um chapéu, leggins rosas por baixo de uma saia, tênis de corrida e uma blusa florida, meu olhar foi de encontro à um rapaz que em um primeiro momento achei ser hippie. Ele andava lado a lado com um cão de serviço, não, ele não era deficiente, nos Estados Unidos é comum pessoas registrarem seus cães como de serviço apenas para que eles possam às acompanhar em todos os lugares.

O rapaz em questão utilizava bermudas cáqui, uma camiseta branca com diversos padrões desenhados, cabelos desgrenhados com uma faixa azul turquesa na cabeça e carregava uma grande mochila roxa. Com um sorriso no rosto ele andava para um lado e para o outro com o seu cão até que finalmente foi parar na fila que iria à Los Angeles.

Um pouco antes do ônibus parar no portão o até então hippie deixou cair uma latinha no chão, seu conteúdo não demorou a fermentar e ele rapidamente se desfez da embalagem.

Um casal parou atrás dele na fila ao chegar do ônibus, foi então que me levantei e parei atrás do casal.

Nesse instante o segurança da rodoviária aproxima-se do hippie e pergunta “o que é que caiu aqui?” o rapaz prontamente responde “água” e o segurança retruca, “nunca vi água fermentar desse jeito”, enquanto coloca uma placa de chão escorregadio no lugar.

Assim que o segurança parte o hippie se vira para o casal e dá uma risadinha.

É então que o namorado passa a conversar com o hippie e eu descubro que na verdade ele está é tentando cruzar o país de carona. Uma coisa perfeitamente normal por aqui.

O fato curioso é que sua jornada havia começado há apenas dois dias.

Ele passou alguns meses deixando o cabelo e a barba crescer, por que, segundo ele, quanto mais você se parece com um mendigo, mais as pessoas te ajudam.

A decisão de comprar uma passagem para Los Angeles ao invés de pedir carona se deu por que, pasmem, o Sol do Arizona era muito forte para ficar na beira da estrada. E foi com grandes lições de como ser um andarilho que entrei no ônibus.

Uma das principais diferenças entre o transporte no Brasil e aqui é que nos Estados Unidos você pode sentar onde quiser, afinal, é um país livre, certo?

Ao entrar no ônibus fui recepcionada por um forte odor de urina. Um odor tão forte que te abraça e diz “vamos ser amigos para sempre”.

Escolhi uma poltrona próxima ao início do ônibus, apesar de minha mãe sempre me dizer para sentar do meio para trás, pelo simples fato de ser uma das poucas poltronas na janela.

Infelizmente o cinto de segurança estava quebrado e nas sete horas de viagens seguintes só conseguia repetir o mantra “por favor, não vamos sofrer um acidente”.

A poltrona, diferentemente dos ônibus da Catarinense, é feita de couro, provavelmente falso, esperamos. E, para a felicidade geral da nação – e das minhas costas – NÃO reclinava.

E então se dá início à viagem. A noite caía, o pôr-do-sol era maravilhoso, mas com a escuridão veio também os odores incessantes de pessoas com problemas de intestino. Por vezes me perguntei se o cachorro de serviço que precisava dar um rolê ou se era o tiozinho sentado a minha frente que estava com incontenção. Foram longas sete horas com apenas duas paradas.

A chegada à cidade dos Anjos não foi menos especial, à uma da madrugada o ônibus passa a adentrar a área industrial do centro da cidade e dirigir por vielas as quais nem durante a luz do dia eu me atreveria a cruzar, até parar no ponto final.

Por sorte a boa alma que é meu colega de apartamento foi me buscar. Mas uma coisa é certa, ônibus interestadual nos Estados Unidos nunca mais.

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