Living LA · Viajando com o Leiloando

Six Flags Magic Mountain – Valencia, CA

Não são todos que sabem o meu real pavor de altura. Meus pais provavelmente só ficaram sabendo quando começamos a viajar. Em nossa primeira viagem ao México eu cheguei a subir na Pirâmide do Sol, mas ao alcançar o topo a primeira coisa que fiz foi sentar, com medo da ventania levar meu corpinho de 12 anos e 40 quilos pirâmide a baixo.

Em Fernando de Noronha eu até desci a escada dentro da pedra que tem – agora vou chutar por que faz muitos anos – 50 metros de altura [eu pensava que era 60, mas acabo de checar online] só por que era escuro e eu não conseguia ver o final da escada.

Depois veio nossa viagem à Europa, onde me recusei a subir na Torre Eiffel por não parecer segura o suficiente, feita só com aquelas barras de ferro. E ao subir no Montparnasse meu pai quis “me dar a mão” pra eu ir até a beirada do prédio e eu fiz aloka do escândalo. Por que quando se trata de altura eu acho que todo mundo vai me empurrar prédio a baixo, inclusive meus familiares. É sério. Pavor sem fim. Não existe razão que tome conta do meu corpo.

Então para a minha família não é novidade o meu desprezo por brinquedos em parques de diversões que envolvam altura.

A Big Tower do Beto Carreiro é meu pior pesadelo. Na última vez que estive no parque, com meu sobrinho em nosso aniversário [ele nasceu no mesmo dia que eu, mas 12 anos depois] ele queria muito ir na Fire Whip o tempo todo, fomos duas vezes. O trajeto é filmado e quando fomos assistir ao vídeo demos algumas risadas, enquanto ele se divertia de braços erguidos e boca aberta eu parecia morta, branca, com cara de pavor e a cabeça balançando de um lado pro outro.

Chegando na Califórnia eu nunca tive vontade de ir ao Six Flags, especialmente depois de ler uma matéria sobre um tronco de árvore que caiu sobre os trilhos de um brinquedo em Julho de 2014.

Mas aí sua melhor amiga resolve comemorar o aniversário dela onde? No Six Flags, obviamente. E você não tem muita opção.

Chegando ao parque tudo que eu mais queria era me enfiar em algum brinquedinho de criança e ficar por lá aproveitando. Mas como nada na vida é como a gente planeja, me encaminharam para a montanha russa do Batman. O meu estado de nervos começou a ser motivo de zoação dos amigos dela. Ela, que não entendia meu desespero, tentava dizer que também tinha medo de altura. E eu lá, com cara de pavor.

Quando alcançamos a ponta da fila para entrar na montanha-russa ela quebrou. Não sabia se ficava feliz ou mais apreensiva. Fomos então para o próximo brinquedo, do Lanterna Verde.

greenlantern6

Aquilo não é uma montanha-russa, é uma máquina de tortura. Você é colocado em uma cadeira dentro de uma bola que se assemelha ao anel do Lanterna Verde e é arremessado de um lado para o outro em trilhos que formam uma bola e não vão pra lugar nenhum a não ser para cima e para os lados. No momento em que sentei no banquinho e o sinto foi afivelado eu comecei a CHORAR. SEM. PARAR. Fechei os olhos, não vi absolutamente nada, levei um solavanco no pescoço que deixou ele doendo por dois dias e quando finalmente acabou eu só conseguia pensar: SOBREVIVI.

Todo mundo feliz, seguimos para a segunda montanha-russa, do Charada. Como é início do verão nos Estados Unidos e fomos em um sábado e parque estava abarrotado. A fila de espera fica logo abaixo da atração. Depois de uma hora de espera vejo o carrinho parar, a provavelmente uns 30 metros de altura, com TODO MUNDO DENTRO. Nos alto-falantes um aviso de que a atração estava passando por um pequeno atraso. Então passamos a observar o pessoal preso na montanha-russa, sob o Sol do meio-dia na Califórnia, de pé, por que naquela montanha-russa você vai em pé. Fiquei com dó. Mas muito mais com medo.

Meus amigos decidiram continuar na fila, por que tinha bastante gente saindo da nossa frente e desistindo.

Passado meia hora eles liberaram a atração. Imaginem o meu pavor entrando no carrinho, mas e não é que foi legal? Daquela atração em diante eu passei a aproveitar os brinquedos. Fomos em montanhas-russas invertidas, em algumas originais de quando o parque abriu, no passeio de barquinho, onde fiquei encharcada. Das 10 da manhã as 9 da noite conseguimos ir em 8 brinquedos.

O melhor de todos é definitivamente o Full Throttle. Lançada em 2013 ela tem o maior loop to mundo, e essa é primeira coisa que acontece no trajeto.

Full-Throttle-Six-Flags-Magic-Mountain-2013-Roller-Coaster-sm

Os carrinhos são impulsionados para fora da plataforma em alta velocidade diretamente dentro do loop, depois a atração continua por trás das árvores e para dentro de um túnel, de onde você consegue ver a parte final que é onde os trilhos passam POR CIMA do loop em uma queda vertical ridiculamente alta. Depois de parar no túnel a os carrinhos voltam de costas por alguns instantes até um ponto inclinado onde você ganha velocidade para subir o loop. É sensacional.

IMG_4529

Mas para terminar nosso dia no parque, me enfiaram em no Tatsu, onde você vai “voando” pelo trajeto. Nunca passei tanto pavor em minha vida. Já era noite, o parque estava fechando e tudo que você vê são as luzes no horizonte. Ninguém em sua frente, nenhum trilho a sua volta, apenas o chão há metros de distância. E a morte te estendendo a mão.

Six Flags Magic Mountain opens a new ride called "Tatsu." If you have any questions regarding this photo please contact Mathew Imaging at (818) 706-8646. Please contact Sue Carpenter at (661) 255-4819 for all questions related to “Tatsu”.

Anúncios

Leiloe a sua ideia :D

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s