Living LA

O meu 11 de setembro

Em 11 de setembro de 2013 desembarquei pela primeira vez no LAX. A história de como minhas malas rolaram escada rolante a baixo vocês já conferiram. As minhas dicas sobre a New York Film Academy e como é morar em Los Angeles (bem por cima) também foi relatado. Mas então, o que poderia eu registrar aqui nesse aniversário de um ano da minha chegada?

Pensei em uma lista de coisas que acontecem nos filmes, na vida e na TNT. Como as Regina George da vida real, ou até mesmo em como eles dançam sim músicas com uma coreografia ensaiada e sincronizada. Pensei em coisas mais práticas, como as baladas fecham às 2am e todo mundo é tocado pra fora pelos seguranças. E sempre volto a pensar nos malditos ônibus que só passam a cada uma hora.

Pensei em como os americanos são alienados com relação à vida fora da “América”, que pra eles se resume apenas a EUA e Canadá. Alias, vira e mexe eu preciso discutir com algum americano sobre como o México faz parte da América do Norte – eles não aceitam.

Pensei em falar sobre os veteranos de guerra que tiveram suas vidas dilaceradas pelos combates, muitos morando nas ruas, outros tantos alcóolatras sustentados pelo governo.

Pensei ainda em como os escândalos de corrupção desse país não são televisionados mundo a fora, fazendo com que nós, brasileiros, tenhamos a impressão de que político corrupto só tem no Brasil e que ir embora da pátria amada idolatrada salve, salve, seja sempre a melhor opção. Não é.

Pensei sobre a crise monetária, sobre como tudo está super caro.

Pensei ainda sobre como nenhuma comida aqui é saudável, e em como eu engordei cinco quilos e não entro mais nas minhas roupas, trazidas em duas malas que rolaram pelas escadas rolantes do LAX.

Pensei sobre como os chineses estão tomando conta do mundo.

Pensei em como as pessoas nascidas ou criadas no Texas são insuportáveis.

Pensei na forma rude como os nova iorquinos tratam a todos.

Pensei até em como o Starbucks nunca acerta o nome de ninguém. (Brincadeira, nem pensei, mas o viral que está rolando no Youtube é hilário, recomendo).

Pensei em como futebol americano é chato pra cacete e eles não aceitam chamar de futebol um esporte que é jogado com os pés e que todo o resto do mundo chama de futebol e ama.

Pensei em como americano não sabe perder.

E depois de tanto pensar eu cansei. Por que viver nos Estados Unidos não é como uma comédia romântica ou um filme do Adam Sandler com personagens cômicos, seus altos e baixos e todos aqueles lugares lindos. Viver nos Estados Unidos é quase um filme do David Fincher onde um dia após o outro você tem que descobrir quem é o maldito vilão que está tentando acabar com a sua vida dessa vez, para por vezes descobrir que o vilão é você mesmo, que frustrado com os acontecimentos da vida real acaba se sabotando mais do que gostaria.

Mês passado conheci um taxista brasileiro que mora nos Estados Unidos há 18 anos. Entre uma conversa e outra ele me perguntou há quanto tempo eu estava aqui. Disse 11 meses. Ele riu e rebateu: “então você ainda está na fase de odiar a tudo e a todos, mas depois de um ano passa”. Hoje marca um ano desse ódio. Vamos aguardar cenas dos próximos capítulos.

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Um comentário em “O meu 11 de setembro

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