Divagações · Viajando com o Leiloando

Aeroportos – Não Lugares

Sentada na sala de embarque do Aeroporto Hartsfield-Jackson, em Atlanta, Geórgia, contemplando um belo lustre de vidro – ou de cristais, vai saber – não consigo parar de pensar no José Carlos Fernandes e sua definição de aeroportos como não-lugares.

Durante uma entre tantas memoráveis aulas nos anos de faculdade ele disse que por mais que os aeroportos estivessem em países diferentes eles eram todos iguais. Lojas, assentos, pessoas atarefadas que estavam ali apenas de passagem.

Em certo aspecto não posso deixar de concordar, aquele em que diz respeito a organização estrutural, nenhum deles tem O aspecto que seja UAU, super inovador. Mas depois de todos esse anos viajando por aí eu infelizmente tenho que discordar no fato de que as pessoas estão ali apenas de passagem.

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Minhas experiências em aeroportos são sempre emocionantes, seja fazendo amizade na sala de embarque, comprando muambas que nunca vou usar na vida (vide meus cases de maquiagem para viagem que raramente utilizo ou os M&M’s que comprei na minha primeira viagem ao México e NUNCA COMI) ou simplesmente observando pessoas – oi, não sou stalker, me formei em Jornalismo, estamos juntos nas observações.

Cada aeroporto pelo qual passei deixou uma impressão na minha vida, uma lembrança, uma sensação, uma emoção. Uma lágrima de VOLTA PRA MIM, CANCUN. Mas vamos aos fatos.

A primeira imagem que vem na minha cabeça – fugindo um pouco da minha obsessão por esse lustre, é o Aeroporto de Punta Cana, na República Dominicana. Para fazer jus ao local paradisíaco em que se encontra, o prédio é basicamente uma enorme choupana, inundado por iluminação natural, com ventiladores ecológicos e uma vibe muito “férias, cheguei”. Impossível não se alegrar de pisar naquela terra pela primeira vez e ficar super chateado na hora de ir embora. Parece que ali é tudo voltado para o relaxamento. E bom, é mesmo. Mudando de saco pra mala em Paris o Charles De Gaulle tem um ar de superioridade tanto quanto os parisienses. Lembro da sala de embarque em que esperei algumas horas, com seu pé direito altíssimo, todas aquelas janelonas de vidro, pessoas bem vestidas, lojas de grife. Saudades Velho Mundo. Não importa se você pagou sua passagem em um milhão de vezes e está viajando pela pior companhia aérea do mundo, ali aguardando você se sente muito importante. Tudo em Paris é um sonho, ou um croissant.

Voltando pras Américas, sobre o Aeroporto Benito Juarez, da Cidade do México, o qual estive três vezes em anos diversos (2000, 2009 e 2011), só consigo lembrar do odor desagradável. O México é mesmo um país que não se ajuda muito – mas eu amo.

Já o aeroporto que mais detesto nessa vida, o LAX, faz jus a cidade a qual pertence. Completamente desajustado, cada companhia aérea tem um prédio separado, as lojas são as mais escassas e desprovidas de produtos possíveis, acaba sendo um reflexo da cidade que 10 em cada 10 americanos afirma ser “diferente de tudo que existe nos Estados Unidos”, e não no bom sentido. As pessoas são frias e não se importam com os outros. E o aeroporto é assim, frio. Ok, LAX é mesmo a definição de não-lugar.

Agora voltando os olhos pro Brasil (por que não consigo lembrar direito do Aeroporto de Cancun, de Buenos Aires e de Santiago).

Dos Aeroportos nordestinos eu pouco lembro, mas o de Fernando de Noronha, lá em 2002 era sensacional, tipo uma base militar. A aventura começava ao descer da aeronave.

No Rio de Janeiro o Santos Dumont tem uma arquitetura que só me lembra novelas da Globo passadas no Leblon, mas talvez essa imagem tenha ficado pelo fato de eu ter visto a Camila Pitanga saindo correndo no desembarque pra passar despercebida. O Galeão é tão passado que as vezes penso que voltei pra época do Brasil colônia (ai como sou hiberbólica).

O Afonso Pena, em Curitiba, é aquele que acha que é Europa, mas precisa de muito feijão com arroz pra chegar lá. Adoro passear por lá pra ver os jogadores do Coxa viajando, essa é a única atração, acho.

O de Guarulhos é meu favorito pelo simples fato de: TEM DOIS RESTAURANTES MC DONALDS.

E por fim o Lauro Carneiro de Loyola é um retrato de Joinville, tão pequeno que chega a ser aconchegante.

Independente de onde seja, da formatação, se tem loja da M.A.C ou casa do Pão de Queijo, os aeroportos me dão uma renovada de espírito, esses não-lugares que pra mim são tão lugares que viram uma atração a parte, nem que a atração seja ficar olhando pro lustre ao longo de três horas e se arrependendo de ter comido Mc Donalds de novo.

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