Living LA

Malas: o meu pior pesadelo

Uma fração de segundo, aliada a uma má decisão, pode acabar por ser decisiva em nossas vidas. Senti que toda a minha história passava diante dos meus olhos no momento em que a minha mala de trinta e dois quilos, uma delas, pelo menos, rolou escada rolante abaixo no Aeroporto Internacional de Los Angeles. Eu estava em busca de comida, não conhecia a área, não tinha o que fazer com as malas e resolvi subir aquela escada, apenas para descobrir que – após chorar por dentro em segundos lamentando o que poderia ter sido quebrado – nada existia lá em cima.

Minha viagem de Curitiba a Los Angeles pode ser resumida apenas nisso: malas. Durante meu check-in no Afonso Pena começou meu suplício, uma pesava 33 quilos e a outra 30, após já ter embalado as bagagens em plástico tive que abrí-las para realocar os conteúdos. Voltando para o despacho de bagagens elas ficaram de lado para que a moça pudesse conferir se eu já não tinha despachado uma e queria despachar mais duas. Ali comecei a temer pelo destino de minhas roupas e bagulhos.

Chegando em Guarulhos me encaminhei ao check-in da Delta, onde, apesar de já ter tido todos meus tickets emitidos pela Gol, tive que trocar os cartões de embarque, e onde também teve início um interrogatório digno de novela das nove. Sra. Leila, de quem são os pertences das suas bagagens? Foi a primeira pergunta, achei que era piada, até ver que o rapaz estava sério, respondi: meus. Sra. Leila, de quem são as malas? Quase respondi: da minha mãe, mas achei sacanagem. Por fim se seguiram perguntas: você deixou as malas sem supervisão por algum momento, alguém teve acesso? Alguém abriu? AI GENTE, VIAJAR NO ONZE DE SETEMBRO É TRISTE, TÁ?

E então fui avisada que mesmo com o despacho das malas até LA, precisaria retirá-las em Atlanta para adentrar os Estados Unidos. Embarquei, assisti As Bem Armadas, tentei dormir em vão e enfim chego a imigração americana.

Cheguei a cabine e o oficial logo me perguntou: “veio sozinha?”, a minha resposta ele rebateu: “porquê?”, expliquei minha situação, ele sorriu. Ao tirar a foto da imigração ele disse “please, take of your funny glasses”. Aqui meus óculos de grau são engraçados haha.

Em seguida perguntou que tipo de filme eu gostaria de fazer e qual era meu filme favorito, senti como se ele fosse meu amigo. Ao me interrogar sobre o que eu estava trazendo, “comida?”, “frutas?”, “cachaça?”, respondi que não e ele rebateu “nem uma cachaça pra esse pobre povo?”, fui obrigada a rir.  E por fim ele finalmente carimbou meu passaporte e todos meus fantasmas foram embora ao som daquele carimbo.

Após uma viagem de nove horas, das quais mal dormi. Toda torta, bem cansada, carregando uma mochila, um laptop, um casaco e mais um travesseiro de pescoço, aliviada por ter sido aceita na terra do Tio Sam, me encaminho para as esteiras de bagagens, onde lutaria com 64 quilos em malas. Pra começo de conversa nem as consegui tirar da esteira, só passei vergonha mesmo sendo carregada pela mala a qual não soltei, até uma boa alma brasileira me ajudar. Quando finalmente as duas bagagens estavam em terra, me encaminhei – a duras penas com malas capotando e coisas caindo das mãos, todo mundo olhando com cara de “tadinha”  – à inspeção, pela qual passei batida. Depositei o meu suplício novamente numa esteira e voltei para a aeronave. E foi ali, entre Atlanta e Los Angeles, que eu me dei conta de que estava finalmente nos Estados Unidos.

Chegamos ao LAX, nosso avião não pode parar no desembarque, dessa forma, descemos pelo embarque. Nisso um brasileiro olhou minha camiseta da seleção e disse: perdida aí, brasileira? Resolvi aproveitar a deixa e começar a conversar pra ver se ele tirava minhas malas da esteira, haha. Continuamos caminhando até que saímos do aeroporto, SEM MALAS. Voltamos por uma porta que dizia: ‘SEM RETORNO’, fomos xingados pela guarda americana, que nos explicou que a esteira de bagagens ficava ali fora mesmo, do lado da porta de saída, sem nenhum tipo de segurança. Me senti o próprio Barney na primeira temporada de HIMYM, indo ao aeroporto jogar malas falsas na esteira.

Quando avisto minha primeira mala, lá ao longe, tenho certeza que o Tio Sam mexeu nos meus pertences. Meu amigo brasileiro prontamente auxiliou a retirada das bagagens, me ofereceu o celular pra fazer ligação (só brasileiro, mesmo), agradeci, e fui me aventurar pelo aeroporto com tudo aquilo. Ir ao banheiro foi um desafio, mas mesmo que alguém quisesse me roubar não conseguiria. E depois, enquanto esperava Stefanie, que estava presa em uma revista na rodovia por causa de um cartel mexicano que atravessou a fronteira e também em parte pela data: 11 de setembro, tive a brilhante ideia de procurar algo pra comer. Subi as escadas rolantes para aquele que seria o momento final de sofrimento com aquelas bagagens. E então, sem graça, desci pelo elevador, sentei e aguardei ir embora daquele lugar.

Moral da história: não dá pra ser feliz nem carregando malas com alças.

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