Divagações

Sonhos sempre vem pra quem sonhar

Era a primeira vez que eu entrava em uma sala de cinema. A pipoca era vendida em saquinhos daqueles estourados em micro-ondas, a acústica da sala não era das melhores, as poltronas chegavam mal e mal até a metade das costas dos espectadores e contavam com uma estampa em tons caramelo e o filme parava na metade para que pudéssemos ir ao banheiro, mas eu estava no céu.

Posso não lembrar o exato dia, mas eu tinha por volta de 8 ou 9 anos e trajava um vestido de alças, todo colorido, da Lilica Ripilica. E junto da minha mãe teve início, naquele dia, uma paixão que hoje mudaria a minha vida.

O primeiro filme que assisti, e pelo qual até hoje guardo um imenso carinho, foi Titanic, o mesmo assistido em minha segunda e terceira vez ao cinema. Essa foi a única ocasião em que comprei três ingressos para o mesmo filme, tamanha foi a minha empolgação. (Vale lembrar que minha mãe me acompanhou as três vezes e dormiu em todas elas. O que os pais não fazem pelos filhos, não é?)

Depois de tamanha euforia acerca de uma das grandes obras de James Cameron, surgiu uma outra primeira experiência, acompanhar a cerimônia do Oscar para ver se o meu adorado filme levaria alguma estatueta. Sem o domínio do inglês acompanhei a transmissão pela Rede Globo, e ali, naquele instante, surgiu uma obsessão: a sétima arte. (ok, confesso, minha obsessão foi outra: ganhar um Oscar).

Passei os anos seguintes a dizer aos quatro ventos, ora de brincadeira, ora meio sério, que meu sonho era ganhar um Oscar, (e ter uma Z4 por causa do Carlos Daniel Bracho, mas essa é outra história).

Apesar de tamanha fixação, nunca me dispus a iniciar um curso de teatro ou alguma aula que o valha dentro desse contexto.

Os anos foram passando e o sonho continuou vivo da seguinte forma: enquanto eu não quebrar a cara tentando, ainda existe a esperança. Essa sou eu, prefiro levar a vida com o ‘que poderia ter sido’ ao invés de efetivamente tentar e quem sabe acabar me dando mal.

E então era chegada a hora de escolher o curso a me inscrever no vestibular. Minha primeira opção, em segredo, era Artes Cênicas, mas, quando comentei com o meu pai essa inclinação ele mandou que eu buscasse algo que fosse me garantir um sustento, escolhi então (ha-ha-ha) Jornalismo.

E foi justamente essa escolha que voltou a me aproximar daquele sonho. O módulo de cinema durante o segundo ou terceiro ano reacendeu em mim a chama da paixão. Agora eu estava efetivamente aprendendo sobre edição, montagem, continuidade, algumas escolas cinematográficas, técnicas, enquadramentos, dentre outras coisas. Mas passou tudo tão rápido.

Vieram os estágios, a formatura, os empregos, muitas decepções. Entre essas decepções estava talvez a que me fazia ainda mais fugir do meu sonho de estrelato na indústria cinematográfica.

Durante os anos em que nutri uma fina esperança em adentrar o mundo dos filmes, alimentei também um tal ‘american dream’. Queria morar nos Estados Unidos, viver uma vida de sitcom, me apaixonar como em uma comédia romântica, jogar nos cassinos de Las Vegas, mas não mais que de repente tive um visto de turista negado. Associado a minha cultura de não tentar, achei que estava abreviada ali a minha jornada. Abandonei os sonhos e tentei, em vão, me agarrar a vida de assessora de imprensa. Não adiantou.

Quando tudo deu errado, resolvi reagir. Ok, eu estava com meus vinte três anos, havia me formado e ainda não tinha resolvido absolutamente nada da minha vida. Via amigas casarem, terem filhos, estabelecidas, e eu? Voltei para casa com o rabo entre as pernas com uma convicção: em um ano e meio vou morar nos Estados Unidos.

Em um primeiro momento meu pai achou que tudo não passava de uma brincadeira. Novamente voltei a vida de assessora de imprensa, porém a determinação continuava. Retomei às aulas de inglês, fiz mais um teste de proficiência e comecei minha luta em busca da aceitação em uma escola de cinema americana.

Já era hora de lutar pelos meus sonhos, aproveitar a oportunidade que meu pai estava me dando e tentar ser feliz, construir aquilo que almejei desde os nove anos de idade, e que resolvi colocar de lado por me julgar incapaz. Passei muito tempo duvidando do meu potencial enquanto muitas pessoas acreditavam em mim. E em 2013 resolvi mudar.

Sonhos sempre vem pra quem sonhar, diz uma música que gosto muito até hoje. E talvez isso realmente seja verdade. Hoje embarco para viver o meu sonho.

Pode ser que daqui dois anos eu retorne ao Brasil com um coração partido, porém cheia de experiências para traçar algum caminho que ao menos me deixe perto dessa paixão avassaladora. Ou pode ser que em alguns anos vocês me vejam sentada próxima ao Jack Nicholson no Dolby Theater. Independente do que o futuro me reserva, agora eu estou pelo menos embarcando para viver o meu American Dream, e independente do que aconteça, até agora, já valeu muito a pena.

Então eu agradeço aqui primeiramente a minha mãe, que aturou TRÊS sessões de Titanic, em segundo lugar ao meu pai, que apesar de ter achado toda essa ideia absurda, nunca se negou a financiar meus sonhos e só quer me ver feliz, mesmo que seja na base de fazer burradas, agradeço também, especialmente Fernanda Carolina Fix, que nos últimos, sei lá, quinze anos, veio alimentando meu sonho, dia após dia, em um dia ser vizinha da Julia Roberts e ter uma Z4 para passear por Beverly Hills. É por vocês três que eu vou lá iniciar uma nova fase da minha vida no dia 11 de setembro de 2013. E que essa data me traga muita sorte.

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