Divagações · Pare e pense

Usurpando emoções

Talvez seja sua maldade, talvez seja seu estilo de vida ou talvez seja apenas por sua beleza estonteante, mas Paola Bracho mudou a vida de muitas pessoas. A novela, de 1999, retornou às telas do SBT na última segunda-feira, 10 de dezembro, e alcançou 05 pontos no IBOPE, um fato louvável levando em consideração o horário de exibição – 16 horas – e o fato de estar sendo reprisada pela quinta vez, sim, quinta vez.

A Usurpadora

É como se as novelas mexicanas protagonizadas pela Thalia (Maria Mercedes, Marimar e Maria do Bairro) bem como essa pérola chamada A Usurpadora tivessem chegado ao mesmo patamar do Chaves para a emissora, onde para alavancar a audiência é necessário abrir mão de grandes sucessos mexicanos dos anos 80 e 90, programas que de certa forma são atemporais e lidam com as mais diversas emoções da população.

Enquanto muitos gostam de chacotear as produções mexicanas, pela sua falta de tecnologia, pela precária dublagem brasileira ou pelas técnicas de interpretação utilizadas há mais de vinte anos, outros se sentem saudosistas e relembram de épocas diferentes de suas vidas ao escutar um “lá vem o Chaves, Chaves, Chaves”. Eu, por exemplo, sou fissurada pela abertura de A Usurpadora, e, sem mentira, me peguei quase chorando duas vezes essa semana ao escutar um “La Usurpadora, esperando por tu amor”.

Dentre os principais personagens figuram o galã, Carlos Daniel, muito mais corno que Tufão, a vovó Piedade surge como um ícone de superação, as empregadas da mansão se assemelham a Zezé de Avenida Brasil em relevância para a história e Paulina Martins, a doce e tapada irmã sofredora é aquela mocinha que você gosta de odiar, por não se deixar entregar ao amor de Carlos Daniel e por não se espertar mais diante das falcatruas de Paola, a diva mexicana eterna. (Desculpe-me Thalia).

Paola Bracho tanto influenciou a minha vida, que decidi tornar a novela o objeto de meu estudo final na pós-graduação. Sim, estou analisando uma novela mexicana da virada do milênio que, mesmo em exibição pela quinta vez, não sai da moda, vide ao número de perfis “maldosos” nas redes sociais associados à Paola Bracho e seu grande número de seguidores e compartilhamentos.

Não importa qual seja o seu preconceito com relação A Usurpadora, eu sei, que no seu âmago, está a vontade de assistir novamente esse sucesso estrondoso, se já não o faz as escondidas. Não se reprima, a cultura inútil estar na moda e consumir produtos mexicanos antigos é o novo ser cult brasileiro. Caso você ainda não tenha personalidade forte o suficiente para assumir esse seu lado, não se preocupe, certamente daqui mais uns três anos a novela volte e, quem sabe, você possa deixar esse seu preconceito ridículo de lado e reviver as aventuras das irmãs gêmeas separadas ao nascer e unidas por uma situação digna de, sim, um dramalhão das Américas.

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2 comentários em “Usurpando emoções

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